15 de setembro de 2008

Evo denuncia "golpe cívico" da direita contra a democracia


O presidente boliviano Evo Morales denunciou que os confrontos desta terça-feira (9) na cidade de Santa Cruz fazem parte de um "golpe cívico contra a democracia", pelo qual responsabilizou o governador Rubén Costas e o presidente do Comitê Cívico desse estado, Branko Marinkovic.

Na manhã de terça-feira, opositores invadiram dutos pelos quais a Bolívia exporta gás natural ao Brasil e danificaram uma válvula de distribuição da empresa Transierra, mas a exportação do gás não foi afetada, segundo informaram fontes locais.

Embora os confrontos tenham deixado feridos e danos materiais, o governo reiterou que não irá ditar estado de sítio e que trabalha para garantir o restabelecimento da paz e ordem. "Hoje vivemos o início de um golpe cívico contra a democracia que tem mais de um quarto de século de vigência", promovido pelo "fascismo incrustado em alguns comitês cívicos e governos departamentais", declarou o ministro do Interior, Alfredo Rada.

Segundo Rada, as manifestações "contam com apoio interno e externo" e são lideradas por governadores de oposição e pelo presidente do Comitê Cívico, como "denunciou oportunamente" o presidente Evo Morales.

O titular da Defesa, Walker San Miguel, anunciou, por sua parte, que o "governo não irá declarar estado de sítio como dizem os mesmos fascistas. A vida de um milhão de habitantes não será alterada por 500 vândalos fascistas".

San Miguel ordenou ao presidente do Comitê Cívico de Santa Cruz "que entregue a lista com os líderes desses grupos formados por vândalos", responsáveis pela "violência irracional, racista e xenófoba" de ontem.

O ministro também convocou "os cidadãos para que se mobilizem em defesa da democracia diante desta tentativa de golpe civil" e denunciou a existência de um plano para cortar o fornecimento de gás a todo o país.

Ao mesmo tempo, cerca de cem militares de um 'comitê cívico popular' realizavam um protesto pedindo a prisão de Costas e Marinkovic. Enquanto os postos de abastecimento de combustível tiveram um dia agitado, já que longas filas se formaram diante do temor de que falte combustível no país em conseqüência das mobilizações. O ministro do Interior também acusou o governador de Santa Cruz, "que tem a obrigação de garantir a tranqüilidade e a convivência pacífica", de "alentar este tipo de ação violenta".

Na noite de terça-feira, os grupos da radical União Juvenil Cruceñistas, que durante a tarde ocuparam e saquearam escritórios da administração pública, invadiram a regional do canal de TV estatal. "Esse é o tipo da violência em Santa Cruz, não dos cidadãos, mas dos grupos fascistas que estão tentando aplicar um golpe de estado", disse Rada.

Em La Paz, Evo se reuniu com os ministros para analisar a situação, que também atinge Tarija, sul do país, e Trinidad, capital de Beni, na região amazônica, onde também foram ocupados órgãos estatais.
* UJS.org.br

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