27 de setembro de 2009

Manuel Zelaya regressa a Honduras! É necessária a ação das massas para derrotar o golpe de Estado!


Na embaixada brasileira, cercado pelas forças golpistas, o presidente eleito de Honduras conclama o povo às ruas. Milhares marcham a Tegucigalpa. No Brasil, atos de solidariedade nesta semana.

Na segunda-feira, dia 21 de Setembro, às 11h da manhã, foi confirmado que Manuel Zelaya, o presidente legítimo de Honduras, estava na capital Tegucigalpa, alojado na embaixada brasileira. O presidente Zelaya fez um chamado à população para que saísse a lhe proteger, e dezenas de milhares responderam.

Foi derrubado por um golpe militar perpretado pela oligarquia no dia 28 de junho, e durante 86 dias os trabalhadores, camponeses e jovens, o povo de Honduras, mantiveram uma luta heróica contra o golpe, enfrentando a repressão, os assassinatos seletivos, as detenções massivas e o bloqueio dos meios de comunicação. Só a resistência das massas, dirigidas pela Frente Nacional de Resistência Contra o Golpe, tornou possível o regresso de Zelaya ao país no dia 21 de setembro. Nem as manobras diplomáticas, nem a pressão dos distintos organismos internacionais (que, no melhor dos casos, foram tímidos) sobre o regime.

O regresso de Zelaya tomou o regime totalmente de surpresa. Primeiro negaram as notícias de que o presidente havia regressado ao país. Mas as imagens dele na embaixada brasileira já haviam sido publicadas nos meios de comunicação de todo o mundo. Milhares congregaram na parte de fora da embaixada e Zelaya dirigiu-se à multidão com o grito de batalha: “Pátria, restituição ou morte!”

Durante mais de 5 horas não houve resposta oficial do regime de Micheletti. Às 5h da tarde da hora local, Micheletti fez uma conferência de imprensa, rodeado por representantes da classe capitalista e exigiu que o Brasil entregasse Zelaya para que fosse julgado. Ele já havia anunciado um toque de recolher desde as 2 da tarde, que se estendeu até as 6 da manhã do dia seguinte (que depois se ampliou até as 6 da tarde de terça-feira). Isto provocou pânico, e os trabalhadores do setor público e privado abandonaram seus postos de trabalho e voltaram para suas residências.

O regime está claramente tentando utilizar a repressão para deter o movimento. As forças armadas, em uma declaração separada, anunciaram que defenderiam a “ordem constitucional” (é o mesmo que dizer: “o golpe ilegítimo”), “inclusive se isso significa a perda de vidas”. A rede de telefonia móvel foi desconectada, as emissoras de rádio da situação foram fechadas e deixaram de transmitir, o exército tomou os quatro aeroportos do país e os cercou.

Mas o entusiasmo criado pelo regresso de Zelaya, depois de 86 dias de resistência das massas, não se pode deter com a repressão. É provável que estejamos presenciando os últimos dias do golpe. Ao final da tarde, uma massiva multidão de 50 mil pessoas, desafiando o toque de recolher, já havia se reunido nos arredores da embaixada brasileira e Zelaya estava se reunindo com os dirigentes da resistência. O ambiente era de júbilo, e as ruas estavam cheias de risos e celebrações. No bairro operário de Kennedy, 3 mil pessoas também desafiaram o toque de recolher, se manifestando até meia-noite. Cenas similares se repetiram por todo o país.

Entretanto, deve-se atentar para uma advertência. A luta não terminou. Os golpistas ainda estão no poder e controlam o aparato do Estado (incluindo o exército e a polícia). Se o golpe for derrotado por uma insurreição popular, tem muito a perder e, portanto, recorreriam a medidas desesperadas para se manter no poder.

Por outro lado, setores da oligarquia, e sobretudo o imperialismo norte-americano, tentarão chegar a um acordo negociado, para salvar o que puderem. Washington já insistiu que a saída é o “Acordo de San José”, que como explicamos, iria atar de pés e mãos Zelaya e daria à oligarquia justamente o que queriam com o golpe. Deve ser recusado! Não deve haver anistia para os golpistas. A vontade do povo deve se expressar democraticamente em eleições livres e democráticas para uma Assembléia Constituinte Revolucionária! Não às eleições amainadas, preparadas para o dia 29 de novembro pelos golpistas!

Não obstante, tanto a Nicarágua, como a Venezuela, votaram contra e manifestaram seu protesto. O embaixador nicaraguense disse que havia falado com Zelaya e que este também recusava o acordo de San José, que anteriormente havia aceitado. Isso é correto e deve ser aplaudido. Outros governos latino-americanos deveriam pressionar para seguir a mesma linha (começando pela Bolívia, El Salvador e Equador).

Nas próximas horas, podemos esperar frenéticas negociações para salvar a legalidade capitalista e as cabeças dos golpistas mais destacados e seus seguidores na classe capitalista, combinado com tentativas de dissolver o movimento com repressão.

As massas deram o último golpe no regime. A Frente Nacional fez um chamado para uma manifestação nacional na capital que poderia ser muito maior que a manifestação histórica do início de julho, quando Zelaya tentou regressar de avião. Isso deveria ser acompanhado por uma greve geral com ocupações dos centros de trabalho. Os trabalhadores devem se converter em donos da situação. Se o regime desliga as emissoras de rádio, os trabalhadores devem voltar a religá-las. Se o regime corta a cobertura dos telefones móveis, os trabalhadores das telecomunicações devem restaurá-la. Os sindicatos dos professores já convocaram uma greve que iniciará terça-feira pela manhã. Os comitês de vizinhos, locais e regionais da frente devem tomar o controle da situação e coordenar suas ações através de representantes eleitos democraticamente, assim se pode criar um poder alternativo ao do ilegítimo regime golpista.

Deveria fazer uma chamada clara às fileiras do exército e da polícia para que se neguem a cumprir as ordens. Zelaya já lhes pediu que voltem suas armas contra seus oficiais. Isto deve ser apoiado pela pressão das massas nas ruas e fora dos batalhões militares. Ao mesmo tempo, o movimento deve se defender contra as provocações e a repressão. Foram levantadas barricadas nos arredores da embaixada brasileira. Também deveria-se organizar esquadrões armados de defesa.

As próximas horas serão decisivas. A correlação de forças está do lado das massas. Podem acertar o último golpe no regime golpista e começar a construção de um novo regime político baseado na organização das massas. Uma assembléia constituinte revolucionária, convocada pela autoridade da Frente Nacional de Resistência, é a maneira de poder satisfazer as aspirações das massas.

Não ao golpe de Estado!


*Escrito por Jorge Martin

15 de setembro de 2009

Plenária da UJS aprova calendário, atividades dos 25 anos e alterações na direção nacional

Sex, 11/09/09 16h49

Na sequência do vitorioso 12º Coneg da UBES, os trabalhos da militância juvenil socialista continuaram intensos entre 7 e 9 de setembro. Foram realizados, nesses dias, também no Rio de Janeiro, o Encontro Nacional de Estudantes Secundaristas da UJS e a Plenária Nacional da entidade, que deliberou sobre extensa pauta. A Plenária Nacional teve participação de 75 dirigentes da UJS, vindos de 17 estados, que se debruçaram sobre a atualização do planejamento estratégico da Organização, debates das frentes, mudanças na direção, avaliação do Congresso da UNE, plano para o Congresso da UBES e calendário de comemorações dos 25 anos da UJS.

Para o novo diretor de Organização da UJS, André Tokarski, a plenária cumpriu papel de colocar em revista a resposta que a entidade tem dado aos desafios até aqui e impulsionar uma série de ações até o Congresso. "Esta plenária foi muito qualificada e representativa, traçou um panorama de como temos nos comportado nos estados e nas frentes de atuação, além de, principalmente, traçar perspectivas promissoras para as lutas políticas que enfrentaremos até o Congresso da UJS", avaliou.

Frentes de atuação e alterações na DN
Os informes especiais apresentados pelas frentes de atuação de Jovens Cientistas, Jovens Trabalhadores, Jovens Mulheres, Esporte, Cultura e LGBT/Diversidade Sexual, cada uma com plano de ação e prioridade instituída, demonstra que a orientação da autonomia das frentes, elaborada no 14º Congresso, já começa a ter consequências positivas. Também apresentaram seus balanços e perspectivas a área temática de Solidariedade Internacional e as áreas de trabalho Comunicação, Formação e Finanças.

Tendo em vista que alguns militantes assumiram outras tarefas políticas nos últimos meses, também foi apreciada uma proposta de alteração nos quadros da Direção Nacional da UJS, na composição da Comissão Diretora e nas tarefas da executiva. As mudanças estão no quadro ao final da matéria.

Antecipar a preparação do 15º Congresso da UJS
Uma das decisões da Plenária foi aproveitar o período favorável, que comporta as comemorações dos 25 anos da UJS e a mobilização para as eleições da UBES para antecipar o processo de filiações de novos militantes com vistas ao próximo Congresso da UJS, a ser realizado em 2010.
Marcelo Gavião, presidente da entidade, frizou que "é necessário construir o Congresso da UJS desde agora. Devemos aproveitar as atividades de agora para apresentar a entidade, trazer mais e mais jovens para nossas fileiras, organizar os núcleos. Assim, conseguiremos jogar papel decisivo em 2010. Não tem sentido fazer isso apenas no ano do Congresso".

Como parte dessa orientação, foram apresentados os projetos de Rio de Janeiro e Salvador para sediar o 15º Congresso Nacional da UJS, com propostas de infra-estrutura, possíveis locais das plenárias e de visitação turística, além de parcerias para viabilizá-los. Além disso, deve ainda ser apresentada, na plenária de dezembro de 2009, a primeira versão os documentos políticos do Congresso.

Encontro Nacional de Estudantes Secundaristas da UJS
Do Encontro, participaram quatrocentas militantes, entre dirigentes da UJS e lideranças do recém lançado movimento "Arrastando Toda a Massa", para discutir o papel dos estudantes secundaristas na luta por um Novo Projeto Nacional de Desenvolvimento e nas eleições de 2010; a contribuição secundarista ao longo dos 25 anos de construção da UJS e os objetivos a serem cumpridos no bojo do 38º Congresso da UBES.

"Não poderia ter sido melhor. Após um Coneg em que dobramos nossa mobilização, iniciar um processo de Congresso da UBES debatendo com tantas lideranças, que saem convencidas das nossas bandeiras e dispostas arrastar a massa para conquistá-las, é fundamental para a vitória que desejamos", diz Titi Alvares, que acaba de ser indicada diretora de movimento secundarista da UJS.

Titi salienta que será uma grande responsabilidade da militância secundarista fazer com que o novo método eleitoral da UBES dê certo. "Será necessário um esforço muito grande, pois atingiremos, em eleições em urna, milhares de escolas. Portanto, tem que ser um processo de muita mobilização e envolvimento dos militantes e que também vai exigir muito diálogo político com outras forças, para diminuir os atritos e consolidar esse método, que é novo para todo mundo", diz.
De São Paulo,
Fernando Borgonovi, diretor de Comunicação da UJS
Fonte: www.ujs.org.br

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