12 de setembro de 2008

E Porque não descriminalizar?!

O consumo de drogas é uma realidade que precisa se encarada sem dogmatismos, tão pouco valer-se da idéia de que descriminalizá-las seria o oba-oba das drogas. É preciso basear-se em argumentos mais sólidos na abordagem do tema.

Defender a descriminalização das drogas é dar um tapa na prática reacionária e conservadora da direita brasileira, que se vale de paradigmas religiosos para taxar os usuários de drogas como bandidos perigosos que deveriam estar atrás das grades.

Imagina que você está fumando seu cigarro numa boa pela rua e de repente você é abordado pela polícia que lhe faz passar constrangimento, te insulta, te agride e ainda por cima lhe algema e te leva a delegacia, seria um tanto quanto constrangedor e turbulento não acha? Pois é assim que os usuários de maconha são reprimidos.

Hoje com a nova Lei Anti-Drogas já há um avanço no que tange a identificação de usuário e traficante, mas ainda não sustenta a tese de liberdade para decidir o que fazer do seu corpo.

É necessário tratar o consumo de drogas como caso de saúde pública e investir em políticas de redução de danos. Não é admissível simplesmente taxar os usuários de maconha como marginais infratores.

Fóruns Permanentes de debates sobre o tema, uma eficaz e efetiva política de Redução de Danos e campanhas informativas em todos os níveis de governo, seriam fundamentais para uma quebra de paradigmas e preconceitos.

Os recursos utilizados hoje em campanhas de prevenção e conscientização são meramente proibiscionistas e deveriam ser destinados a ações de Prevenção e Acompanhamento de usuários. É preciso avançar no que tange o método de abordagem e diálogo com a sociedade, da mesma maneira como o avanço em pesquisas nesta área é de utilidade pública.

Com a legalização das drogas leves, como a maconha, uma boa parte dessa quantia poderia ser destinada a ações de prevenção, pois seria de responsabilidade do governo taxar e controlar seus índices e métodos de consumo.

A maconha é a droga ilegal mais utilizada entre os brasileiros, conforme pesquisa realizada em 2001 pelo Centro Brasileiro de Informações Sobre Drogas Psicotrópicas (Cebrid) e pela Unifesp. De acordo com o estudo, 7% já experimentaram a erva pelo menos em uma oportunidade - nos EUA, são 37%. Somente o tráfico da maconha gera para os cofres dos narcotraficantes valor estimado em R$ 40 milhões por mês só aqui no Brasil.

Se a maconha for legalizada, o usuário não vai precisar ir a uma “boca” para consumir seu vício, não terá contato com o crime organizado e não irá contribuir para a manutenção dos métodos ilegais do narcotráfico.

VALOR TERAPÊUTICO-MEDICINAL

Todos os atos médicos estão baseados no binômio risco-benefício e a maconha não é uma exceção. Apesar do THC (tetra-hidro-canabinol) ser o princípio ativo mais estudado, existem outros componentes com possíveis usos terapêuticos, como o canabidiol. O possível uso terapêutico dos canabinóides está baseado em análises científicas rigorosas. Assim, é possível especificar algumas utilidades da maconha, como analgesia, tratamento de transtornos neurológicos, estimulante de apetite etc.

Estima-se que hoje existem no Brasil cerca de 400 mil hectares de pés de Cannabis, todos cultivados de maneira ilegal, que deve gerar uma receita de R$ 10 milhões por mês.

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