9 de julho de 2008

O EQUIVOCO HISTÓRICO DO ANARQUISMO


Anarquismo, uma teoria particular que pretende suprimir não o capital e, consequentemente, a luta de classe entre capitalistas e assalariados, que surgiu no curso da evolução social; o que quer eliminar é o Estado. O poder do Estado e apenas a organização que as classes dominantes, proprietários, latifundiários e capitalistas articularam para preservar seus privilégios. O Anarquismo acredita que o Estado criou o capital e que o capitalista detém seu capital somente graças ao Estado. Já que o mal maior é o Estado, raciocina eles, é necessário, em primeiro lugar, suprimi-lo; a seguir, o capital desaparecerá por si mesmo. Engels diz o contrário: suprima o capital, a concentração dos meios de produção em poder de poucos e o Estado desaparecerá. A diferença é grande: a supressão do Estado sem uma prévia modificação radical da sociedade é um absurdo. A supressão do capital é precisamente uma revolução social e implica numa transformação total da produção. Mas como, para os anarquistas o Estado é o mal em primeiro lugar, é necessário não fazer nada que possa manter o Estado. É preciso, pois, abster-se completamente da política. Deve-se fazer propaganda, denegrir o Estado, organizar-se; quando se tiver o apoio de todos os operários e, consequentemente, da maioria, fechar-se-ão todas as administrações e suprimir-se-á o Estado para substituí-lo pela organização Internacional. Este grande ato pelo qual se inaugurara a era da felicidade, Engels denomina de: a liquidação social.
Tudo isto parece tão radical e tão simples que pode ser aprendido, de cor, em cinco minutos, e esta e a razão pela qual a teoria Anarquista encontrou rapidamente adeptos entre jovens pequeno-burguês, doutores e o outros doutrinários burgueses. No entanto, jamais se conseguirá convencer as grandes massas operárias de que as questões públicas dos seus paises não são também questões suas. Elas são políticas por temperamento e, por fim, afastar-se-ão de quem lhes prega abstenção política. Pedir aos operários que se abstenham da política e, em qualquer circunstancia, joga-los nos braços dos padres ou dos republicanos burgueses.
Acreditamos assim como Marx e Engels, que a dissolução gradual e, definitivamente, a desaparição da organização política denominada Estado – organização que sempre teve como tarefa principal assegurar, através da força armada, a tutela econômica da maioria dos trabalhadores pela minoria dos proprietários. Desaparecendo esta minoria, desaparece a necessidade de uma força estatal armada que serve as finalidades da repressão.
Os Anarquistas invertem o problema: afirmam que a revolução proletária deve começar pela eliminação da organização política do Estado. Ora, após a vitória do proletariado, e justamente o Estado que representa a única organização que a classe operaria triunfante encontra para utilizar. É verdade que, para o desempenho de novas funções, o Estado exige importantes modificações. Mas destruí-lo completamente neste momento equivaleria a destruir o único aparelho como o apoio do qual o proletariado vitorioso pode assumir o poder que acaba de conquistar, reprimir seus inimigos capitalistas, e realizar a revolução econômica da sociedade, sem a qual a sua vitória transformar-se-ia inevitavelmente num fracasso e no extermínio maciço dos operários, como ocorreu na Comuna de Paris.




(Com base nos manuscritos de F. ENGELS)

2 comentários:

Pablo Rodrigo Silva disse...

galera...esse texto escrevi ja algum tempo e resolvi publica-lo agora, acho que devemos fazer isso, pois este blog deve ser um espaço de debates também...espero que leiam e comentem
Saudações Socialistas

Anônimo disse...

vc é bom , seguro , qdo escreve sabe mto do que está falando ...tem segurança e passa segurança no que transmite.boa sorte jornalista.

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