12 de janeiro de 2009

SÉRIE JORNALISMO MERCENÁRIO (versão sem erros de digitação para não jornalistas)‏

O JORNALISMO COMO INSTITUIÇÃO BURGUESA
O jornalismo é uma invenção da era burguesa e se firma a partir dos séculos XVII e XVIII. A grande publicação que a burguesia mantém até hoje – e que para mim é uma referência – é o The Economist. Marx já brigava com essa publicação. The Economist tem 170 anos. É um semanário que dá de cem a zero no Times, sua cópia vagabunda. E de mil a zero na Veja, a cópia vagabunda do Times.

The Economist tem um mote editorial por trás de seu conservadorismo: a disputa da inteligência. Uma herança do tempo em que a burguesia era uma classe revolucionária, quando pretendia informar e travar uma disputa pelo conhecimento.

A burguesia desistiu disso numa data mais ou menos precisa, que é o final do século XIX. Desde então impôs-se um outro padrão, expresso numa máxima extraordinária de um jornalista norte-americano: “Você nunca perde dinheiro quando acha que o povo é ignorante”.

Até o começo do século XX, o grande jornal diário do mundo foi o Times de Londres. Era o chamado “jornal popular burguês”. Um jornal da burguesia para os trabalhadores. E tinha 30, 40 mil exemplares por dia.

Mas já chegava o tempo em que os trabalhadores se aglomeravam nas cidades, em que vigorava o capitalismo dos grandes monopólios, e dentro dele crescia o movimento socialista. A grande descoberta do empresário sensível daquela época foi transformar o Times num jornal que vendesse mis, eu chegasse ao milhão de exemplares, que atingisse trabalhador pela coisa mais imediata, vizinha a ele: o escândalo, o sujeito que matou o pai, a mãe.

O jornal que a burguesia fez na fase em que ela se acreditava uma classe capaz de levar o conhecimento ao povo foi aos poucos mudando, conforme ela se concentrava nos objetivos do lucro, de explorar, de fazer ampliar o capital.

Ainda atrelado a sua origem burguesa, o jornalismo atual está muitíssimo distante de qualquer visão capaz de envolver a participação popular, capaz de supera o dogmatismo do sensacional e do escandaloso, imposto pela ditadura do grande capital.

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