19 de junho de 2008

Gavião conta um pouco da sua vida e atuação como militante da maior organização de juventude do país

Quem já viu o atual presidente da União da Juventude Socialista, conhecido por Gavião, talvez não imagine a história que está "escondida" em meio a tantas convicções políticas e militância. Marcelo Brito nasceu em Simões Filho a vinte minutos de Salvador e conheceu a política desde muito cedo através da militância do seu pai no PCdoB.
Tendo tido dificuldades na infância, pois não cresceu deitado em um berço de ouro, o presidente da UJS tem orgulho ao lembrar que, quando era criança na década de 80, aguardava ansioso o pai chegar das reuniões do partido para "roubar" o adesivo da foice e martelo e colar na sua camiseta cheio de orgulho.
E por falar em ouro... Quando era adolescente, antes de conhecer a UJS, Gavião se embrenhou por terrenos religiosos e se aproximou de um grupo de jovens da Igreja Católica.
"Questionei tudo desde sempre e quando vi aquele santo de ouro maciço em uma instituição que prega o fim da pobreza senti que não era o meu caminho", conta.
Aos 13 anos ganhou sua primeira ficha de filiação, que ficou por muito tempo em meio a um dos cadernos da escola. Mas o primeiro contato com a UJS aconteceu mais tarde, em 1996, quando tinha 16 anos de idade e o pai o incentivou a participar de uma Plenária Municipal da entidade em Salvador.
"Perto de casa existia uma associação de moradores e eu tomava conta do bar dessa associação. A plenária foi em um sábado, era o dia que eu mais vendia no bar, mas eu dei um jeito, chamei o meu irmão para ficar no meu lugar e chegando lá foi um impacto muito grande... Como os jovens conseguiam falar dos problemas da juventude com tanta paixão e propriedade? E então aquilo me encantou", conta emocionado.
Três meses depois o pai falou sobre o Congresso Nacional da UJS que seria em São Paulo e perguntou se ele queria ir. "É óbvio que eu queria ir, imagine um garoto de 16 anos viajando sozinho para São Paulo".
E foi aí que a paixão aconteceu, quando voltou do Congresso, embebido pela experiência trocada com outras culturas brasileiras, queria fazer revolução a cada passo dado. Entrou para o grêmio da escola, assumindo a Diretoria de Imprensa, filiou jovens na UJS, convocou uma assembléia geral e destruiu o grêmio atuante. "Eles só puxavam o saco da diretoria, não estavam nem aí com nada", diz Gavião que encabeçou a chapa que foi eleita com dois mil votos.
Então foi presidente do grêmio por um ano, até eleger um sucessor, depois foi para a direção da UESF (União dos Estudantes de Simões Filho) e na Direção Estadual da UJS também foi membro da Associação Baiana dos Estudantes Secundaristas.
Mas nem sempre de flores vive a militância... "No ano de 2000 a situação da minha família estava difícil, estávamos passando por dificuldades financeiras, antes o meu pai tinha a possibilidade de me ajudar, mas neste momento não estava mais suprindo".
Foi aí que Gavião foi trabalhar em uma empresa de mármore e ainda guarda o macacão que o acompanhou depois de praticamente um ano de jornada. "Essa experiência foi fantástica, pois o fato de um jovem de 17 e 18 anos poder trabalhar aumenta a responsabilidade e acrescenta em valores que serão importantes para o resto da vida", se orgulha.
Das oito as cinco empresa de mármore, nas madrugadas e fins de semana, UJS e em 2000 a UJS sugeriu que ele coordenasse a ação dos estudantes secundaristas na Bahia. "Depois disso foi o momento da minha vinda para São Paulo e eu percebi que sempre que vamos assumir uma tarefa pensamos conhecer os novos caminhos e dificuldades, mas aos poucos vamos nos surpreendendo".
De acordo com Gavião o início não foi fácil, mas felizmente ele pode contar com a solidariedade dos amigos da militância paulistana. "Fui eleito presidente da UBES com duas malas nas mãos e sem ter onde morar, por um tempo eu moraria na casa de fração da UPES, mas o pessoal foi despejado", afirma.
"Depois fui convidado pela Lúcia Stumpf para morar na casa dela, a minha idéia era ficar alguns dias, mas acabei ficando três meses. Contei com a ajuda de muitos amigos como Rovilson Portella e como contou o Thiago Franco no 14º Congresso, a história do Rovilson fazer rodízio com o seu colchão foi verdade".
Para Gavião o maior ensinamento é que ser socialista é uma prática cotidiana, ele afirma que tem muito orgulho de ter presidido a UBES e sente uma paixão muito grande pelo movimento secundarista. "Temos que dar a devida importância a estes jovens, pois é aí que reside o instinto da revolução", se emociona.
Nova Gestão e desafios
Marcelo Brito foi reeleito Presidente da União da Juventude Socialista na Plenária Final do 14º Congresso da organização, ocorrida no último fim de semana (15) e as expectativas não são pequenas.
"A campanha foi grande e alegre e mostrou uma consolidação do projeto de fazer da UJS uma organização de massa. Todas as etapas provaram isso, seus debates, intervenções, animação de militantes e os atos políticos que foram bem prestigiados pelo Vice-Presidente José de Alencar e os Ministros Orlando Silva e Luiz Dulce".
De acordo com o Presidente da UJS este é o momento de consolidar os avanços do país. "Afinal de contas em 2002 a organização tinha 20 mil filiados, agora temos 130 mil". A geração de 92 derrubou Collor, a geração de 94 até 2002 combateu a Era FHC, tivemos também a geração que elegeu o presidente Lula, "agora temos que dar continuidade às conquistas que o Brasil vem garantindo nos últimos anos".
Gavião conta que este é o momento adequado para entender que as eleições de 2008 são o preparo para as eleições de 2010 e a UJS deve afirmar aos quatro cantos que valeu a pena acreditar na campanha do Governo Lula mesmo com a direita tendo tentado impor diversos medos para que acontecesse o contrário.
"Precisamos fazer mais mobilizações, debates, passeatas, ganhar mais jovens para chegar a 2010 com uma massa juvenil politizada e combativa. Não queremos entregar no Brasil para quem defende a privatização, criminaliza os movimentos sociais e enxerga a América Latina como um apêndice dos interesses dos Estados Unidos e da União Européia", conta.
Para ele não podemos esquecer das lutas específicas, melhoria nas condições d educação, democracia, construção das universidades, ampliação de vagas e projetos da mesma importância que o ProUni. Ele conta que a experiência do Governo Lula respondeu a uma série de coisas, hoje o desemprego diminuiu, mas ainda é grande na juventude. "Temos muitas coisas para resolver e a UJS pretende mobilizar os jovens para debater propostas para ter soluções para estes problemas, além de construir um grupo de militantes cada vez mais forte e que proponha a potencialização das lutas políticas para fazer uma reforma democrática".
Os desafios incluem:
- Reforma tributária;
- Reforma educacional;
- Reforma agrária, incluindo as terras da União;
- Reforma urbana – as cidades crescem de forma desorganizada e sem planejamento;
- Reforma política – que visa fortalecer os partidos políticos, diferentemente da constante idéia de corrupção que é transmitida e afasta a juventude da política;
"O maior erro seria dizer que eu estou satisfeito. A grande marca da juventude é a capacidade de se indignar e não se satisfazer com o que tem, a nossa militância se esforçou muito, a direção da UJS no seu conjunto se esforçou muito, mas, ainda é pouco para quem quer construir o socialismo no Brasil", afirma Gavião.
De acordo com ele o objetivo é consolidar a UJS como uma organização de massa. "A maior batalha da UJS é a ideológica, muitas vezes não está materializado em nada específico, mas ao mesmo tempo está em todo lugar, precisamos combater o consumismo e o individualismo".
Militância
"O que falta na militância, na juventude, para podermos atingir os nossos objetivos na organização é valorizar o que conquistamos até os dias de hoje. Como diz Jorge Aragão no seu samba 'Respeite quem pode chegar onde a gente chegou', ainda somos insuficientes, mas precisamos preparar melhor ideologicamente a militância para não deixarmos a peteca cair", conta.
Gavião diz que ainda somos quadros em formação, que quando o presidente Lula foi eleito o jovem, que votará pela primeira vez nessas eleições, tinha apenas oito anos, e este jovem vai querer que o próximo governo seja melhor do que este.
Por estar a frente dessa organização, Gavião agradece pelo respeito, admiração e pela responsabilidade de ser presidente da União da Juventude Socialista e a organização possui 130 mil filiados em um Brasil de 50 milhões de jovens.
"Se depender da atual geração dos jovens vamos aprontar muita coisa ainda, todo lugar que tiver luta terá nossa bandeira tremulando", afirma emocionado.

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