7 de fevereiro de 2009

Declaração Aprovada na Assembléia das Mulheres de todo o mundo


Declaração da Assembleia de Mulheres
Belém, 1 de fevereiro de 2009 - Forum Social Mundial (FSM)

No ano em que o FSM encontra-se com a população da Pan-Amazônia, nós mulheres de diferentes partes do mundo, reunidas em Belém, afirmamos a contribuição das mulheres indígenas e das mulheres de todos os povos da floresta como sujeito político que vem enriquecer o feminismo a partir da diversidade cultural de nossas sociedades e conosco fortalecer a luta feminista contra o sistema patriarcal capitalista globalizado.

O mundo hoje assiste a crises que expõem a inviabilidade deste sistema. As crises financeiras, alimentar, climática e energética não são fenômenos isolados, mas representam uma mesma crise do modelo, movido pela superexploração do trabalho e da natureza e pela especulação e financeirização da economia.

Frente a estas crises não nos interessam as respostas paliativas e baseadas ainda na lógica do mercado. Isto somente pode levar a uma sobrevida do mesmo sistema. Precisamos avançar na construção de alternativas. Para a crise climática e energética, negamos a solução por meio dos agrocombustíveis e do mercado de créditos de carbono. Nós, mulheres feministas, propomos a mudança no modelo de produção e consumo. Para a crise alimentar, afirmamos que os transgênicos não representam uma solução. Nossa proposta é a soberania alimentar e a produção agroecológica. Frente à crise financeira e econômica, somos contra os milhões retirados dos fundos públicos para salvar bancos e empresas. Nós mulheres feministas reivindicamos proteção ao trabalho e direito à renda digna.

Não podemos aceitar que as tentativas de manutenção desse sistema sejam feitas à custa de nós mulheres. As demissões em massa, o corte de gastos públicos nas áreas sociais e a reafirmação desse modelo produtivo afeta diretamente nossas vidas à medida que aumenta o trabalho de reprodução e de sustentabilidade da vida.

Para impor seu domínio no mundo, o sistema recorre à militarização e ao armamentismo; inventa confrontações genocidas que fazem das mulheres botim de guerra e sujeitam seus corpos à violência sexual como arma de guerra contra as mulheres no conflito armado. Expulsa populações e as obriga a viver como refugiadas políticas; deixa na impunidade a violência contra as mulheres, o feminicídio e outros crimes contra a humanidade, que se sucedem cotidianamente nos contextos de conflitos armados.

Nós feministas propomos transformações profundas e radicais das relações entre os seres humanos e com a natureza, o fim da lesbofobia, do patriarcado heteronormativo e racista. Exigimos o fim do controle sobre nossos corpos e sexualidade. Reivindicamos o direito a decidir com liberdade sobre nossas vidas e territórios que habitamos. Queremos que a reprodução da sociedade não se faça a partir da superexploração das mulheres.

No encontro das nossas forças, nós nos solidarizamos com as mulheres das regiões de conflitos armados e de guerra. Juntamos nossas vozes às das companheiras do Haiti e rechaçamos a violência praticada pelas forças militares de ocupação. Nossa solidariedade às colombianas, congolesas e tantas outras que resistem cotidianamente à violência de grupos militares e das milícias envolvidas nos conflitos em seus países. Nossa solidariedade com as iraquianas que enfrentam a violência da ocupação militar norte-americana. Nesse momento em especial nós nos solidarizamos com as mulheres palestinas que estão na Faixa de Gaza, sob ataque militar de Israel. E nos somamos a todas que lutam pelo fim da guerra no Oriente Médio.

Na paz e na guerra nos solidarizamos às mulheres vitimas de violência patriarcal e racista contra mulheres negras e jovens.

De igual maneira, manifestamos nosso apoio e solidariedade a cada uma das companheiras que estão em lutas de resistência contra as barragens, as madereiras, mineradoras e os megaprojetos na Amazônia e outras partes do mundo, e que estão sendo perseguidas por sua oposição legítima à exploração. Nós somamos às lutas pelo direito à água. Nós nos solidarizamos a todas as mulheres criminalizadas pela prática do aborto ou por defenderem este direito. Nós reforçamos nosso compromisso e convergimos nossas ações para resistir à ofensiva fundamentalista e conservadora, e garantir que todas as mulheres que precisem tenham direito ao aborto legal e seguro.

Nos somamos às lutas por acessibilidade para as mulheres com deficiência e pelo direito de ir e vir e permanecer das mulheres migrantes.

Por nós e por todas estas, seguiremos comprometidas com a construção do movimento feminista como uma força política contra-hegemônica e um instrumento das mulheres para alcançar a transformação de suas vidas e de nossas sociedades, apoiando e fortalecendo a auto-organização das mulheres , o diálogo e articulação das lutas dos movimentos sociais. Estaremos todas, em todo o mundo, no próximo 8 de março e na Semana de Ação Global 2010, confrontando o sistema patriarcal e capitalista que nos oprime e explora.

Nas ruas e em nossas casas, nas florestas e nos campos, no prosseguir de nossas lutas e no cotidiano de nossas vidas, manteremos nossa rebeldia e mobilização.

Saramago manifesta-se sobre a crise


O escritor português José Saramago manifestou-se sobre a crise econômica. Ao se pronunciar contra as políticas capitalistas, defendeu que “Marx nunca teve tanta razão”. As declarações de Saramago repercutiram na imprensa mundial, pois ele culpou os banqueiros e as grandes empresas pela crise.

Ao relacionar a crise mundial com a história do livro e do filme, disse que “estamos sempre mais ou menos cegos. O ideal seria que todos fossemos cidadãos ativos, mas cada um tem os seus problemas e a sua felicidade a conquistar”, porém, para ele, “as piores consequências ainda não se manifestaram”.

Ainda completou: “Se há uma catástrofe em qualquer lado, aparecem logo países a querer ajudar, mas um ano depois a ajuda ainda não chegou. Como é possível demorar-se tanto a disponibilizar dinheiro para uma emergência e agora, de repente, saltam milhões? Onde estavam? O dinheiro apareceu para salvar vidas? Não: apareceu para salvar bancos. E dizem que sem bancos isto não funciona. Marx nunca teve tanta razão como hoje”.

Ele publicou em seu blog um manifesto intitulado “Novo capitalismo?”. Além do próprio Saramago, assinam Federico Mayor Zaragoza, Francisco Altemir, Roberto Savio, Mário Soares e José Vidal Beneyto.

“Ásia Oriental, Argentina, Turquia, Brasil, Rússia, a hecatombe da Nova Economia, provam que não se trata de acidentes conjunturais fortuitos que acontecem na superfície da vida económica mas que estão inscritos no próprio coração do sistema”, diz uma parte do texto que está abaixo.

Novo capitalismo?
By José Saramago

Há uns dias atrás, várias pessoas de diversos países e diferentes posições políticas, subscrevemos o texto que reproduzo abaixo. É uma chamada de atenção, um protesto, a expressão do alarme que sentimos diante da crise e das possíveis saídas que se afiguram. Não podemos ser cúmplices.

“Novo capitalismo?”

Chegou o momento da mudança à escala pública e individual.
Chegou o momento da justiça.

A crise financeira aí está de novo destroçando as nossas economias, desferindo duros golpes nas nossas vidas. Na última década, os seus abanões têm sido cada vez mais frequente e dramáticos. Ásia Oriental, Argentina, Turquia, Brasil, Rússia, a hecatombe da Nova Economia, provam que não se trata de acidentes conjunturais fortuitos que acontecem na superfície da vida económica mas que estão inscritos no próprio coração do sistema.

Essas rupturas, que acabaram produzindo uma contracção funesta da vida económica atual, com o argumento do desemprego e da generalização da desigualdade, assinalam a quebra do capitalismo financeiro e significam o definitivo ancilosamento da ordem económica mundial em que vivemos. Há, pois, que transformá-lo radicalmente.

Na entrevista com o presidente Bush, Durão Barroso, Presidente da Comissão Europeia, declarou que a presente crise deve conduzir a uma “nova ordem económica mundial”, o que é aceitável, se esta nova ordem se orientar pelos princípios democráticos – que nunca deveriam ter sido abandonados – da justiça, liberdade, igualdade e solidariedade.

As “leis do mercado” conduziram a uma situação caótica que levou a um “resgate” de milhares de milhões de dólares, de tal modo que, como se referiu acertadamente, “se privatizaram os ganhos e se nacionalizaram as perdas”. Encontraram ajuda para os culpados e não para as vítimas. Esta é uma ocasião única para redefinir o sistema económico mundial a favor da justiça social.

Não havia dinheiro para os fundos de combate à SIDA, nem de apoio para a alimentação no mundo… e afinal, num autêntico turbilhão financeiro, acontece que havia fundos para que não se arruinassem aqueles mesmos que, favorecendo excessivamente as bolhas informáticas e imobiliárias, arruinaram o edifício económico mundial da “globalização”.

Por isto é totalmente errado que o Presidente Sarkozy tenha falado sobre a realização de todos estes esforços a cargo dos contribuintes “para um novo capitalismo”!… e que o Presidente Bush, como dele seria de esperar, tenha concordado que deve salvaguardar-se “a liberdade de mercado” (sem que desapareçam os subsídios agrícolas!)…

Não: agora devemos ser resgatados, os cidadãos, favorecendo com rapidez e valentia a transição de uma economia de guerra para uma economia de desenvolvimento global, em que essa vergonha colectiva do investimento de três mil milhões de dólares por dia em armas, ao mesmo tempo que morrem de fome mais de 60 mil pessoas, seja superada.

Uma economia de desenvolvimento que elimine a abusiva exploração dos recursos naturais que tem lugar na actualidade (petróleo, gás, minerais, carvão) e que faça com que se apliquem normas vigiadas por uma Nações Unidas refundadas – que envolvam o Fundo Monetário Internacional, o Banco Mundial “para a reconstrução e desenvolvimento” e a Organização Mundial de Comércio, que não seja um clube privado de nações, mas sim uma instituição da ONU – que disponham dos meios pessoais, humanos e técnicos necessários para exercer a sua autoridade jurídica e ética de forma eficaz.

Investimento nas energias renováveis, na produção de alimentos (agricultura e aquicultura), na obtenção e condução de água, na saúde, educação, habitação… para que a “nova ordem económica” seja, por fim, democrática e beneficie as pessoas. O engano da globalização e da economia de mercado deve terminar! A sociedade civil já não será um espectador resignado e, se necessário for, utilizará todo o poder de cidadania que hoje, com as modernas tecnologias de comunicação, possui.

Novo capitalismo? Não!

Chegou o momento da mudança à escala pública e individual.
Chegou o momento da justiça.

UNIDADE contra a Crise

Nenhuma Demissão - Estabilidade no emprego já!
Os trabalhadores não podem pagar pela crise. Os ricos que paguem!

A crise econômica vai sendo uma escola de unidade para as principais centrais sindicais brasileiras. Em janeiro, CTB, Força Sindical, UGT, Nova Central Sindical e CGTB, anuciaram um PActo de Ação Sindical para enfrentar as ameaças contra os trabalhadores e, a principal delas, o desemprego.

A CUT não participou da reunião que definiu a ação conjunta, mas garantiu que apoia o movimento e vai assinar o documento que contém nove propostas e foi aprovado, no dia 15/01, em reunião na sede nacional da CTB, em São Paulo.

A ação já teve uma primeira consequencia importante: a Força Sindical, que vinha conversando com a Fiesp sobre medidas para enfrentar a crise, atendeu à solicitação das centrais e suspendeu aquelas negociações por dez dias, reforçando a unidade da luta dos trabalhadores´.

É natural que existam opiniões divergentes, mas as centrais precisam buscar a unidade para desenvolver a luta em defesa dos direitos dos trabalhadores.

A assinatura, por 35 lideranças, representando cinco das seis principais centrais sindicais, aponta nesse rumo e deve ser saudada como uma conquista dos trabalhadores que podem, assim, enfrentar como um só bloco a crise que ameaça seus empregos e sálarios.

Na reunião, a defesa das seuintes propostas vão ser feitas:
  1. Exigência de contrapartidas sociais, especialmente a garantia dos empregos, de todas as empresas/setores econômicos, beneficiados com recursos públicos (empréstimos, insenção fiscal, etc);

  2. Fim das horas extras;

  3. Eliminação do banco de horas;

  4. Redução imediata de, pelo menos, dois pontos percentuais da taxa básica de juros (selic);

  5. Redução substancial do "spread" bancário dos bancos públicos e privados;

  6. Ampliação das parcelas de seugro desemprego;

  7. Ampliação dos aportes financeiros do fundo de amparo ao trabalhador, destinados à qualificação da mão de obra.

  8. Autorização para que o trabalhador possa utilizar até 20% (vinte por cento) da sua conta do FGTS no Fundo de Infraestrutura (FI-FGTS);

  9. Manisfestação em São Paulo pela redução da taxa de juros.

Somente uma observação: em contraste com o péssimo número divulgado em Dezembro, 2008 fechou com a menor taxa de desemprego desde 2002: 6,8%. O lado ruim da noticia é que os efeitos da crise aparecerão nos dados de Janeiro...

4º Cngresso de Extensão Universitária

Estão abertas as inscrições de trabalho ao 4º Congresso de Extensão Universitária, com o objetivo de difundir a produção intelectual dos universitários brasileiros. Ocorre, de 27 a 30 de abril, em Dourados, Mato Grosso do Sul, os interessados podem enviar trabalhos até o dia 20 de fevereiro.

O Congresso Cientifico é um espaço que congrega todos que trabalham na área da extensão universitária, sendo o tema “Tecnologias Sociais e Inclusão: Caminhos para a Extensão Universitária”. O evento ainda conta com mesas-redondas, minicursos, sessões de comunicações orais, apresentação de pôsteres, lançamentos de livros e atividades culturais.


Mais detalhes acerca do evento podem ser obtidos no site www.ufgd.edu.br/cbeu ou por e-mail cbeudourados@ufgd.edu.br.

1 de fevereiro de 2009

Mobilização na França

Um dia de mobilização bem sucedida! O UNEF chama à assembleias gerais
Dezenas de milhares de jovens participaram nas manifestações, que reuniram 2.5 milhões de pessoas por toda a parte na França. Os jovens e os estudantes eram nomeadamente 10.000 em Bordeaux, 10.000 em Marseille, 3000 em Liyon, 5000 em Montpellier.
A participação importante dos jovens testemunham a sua apreensão perante a um futuro marcado pelo desemprego e marca a recusa das políticas do governo que não protegem as consequências da crise e acrescentam dificuldades a um futuro já frágil (supressões de milhares de postos na função pública que aumentam de um verdadeiro plano social, degradação do enquadramento nas universidades, aumento das desigualdades entre as universidades, aumento da precariedade da vida do estudante…).

Antes de fazer a metereologia das catástrofes sociais, o governo deve hoje tirar o seu guarda-chuva a fim de proteger-nos das consequências da crise. Os jovens recusam ser os reféns da crise e do desemprego, para construir o seu futuro.A UNEF chama os estudantes a reunir-se em assembleias gerais nas universidades a partir de segunda-feira 2 de Fevereiro para debater e dar sequência à este dia bem sucedido.
A UNEF chama os estudantes a ampliar a sua participação nas mobilizações nas universidades para obter uma mudança na política do governo em matéria de ensino superior e das medidas para fazer face à crise e responder à precariedade dos jovens.

Saudações estudantis
*Por Flavio Franco (Ciências Sociais - UFBA)
Atualmente em Intercâmbio Acadêmico no Instituto de Estudos Politicos em Rennes-França
UJS/UNEGRO/PC do B/
UNIÃO NACIONAL DE ESTUDANTES DA FRANÇA: www.unef.fr