4 de maio de 2009

Comunidade discute implantação do vestibular unificado


Unificação dos professos seletivos das instituições federais de ensino superior (Ifes) a partir da reestruturação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Esse tema foi o principal ponto do debate realizado hoje (4) de manhã no auditório da Faculdade Agronomia e Medicina Veterinária (Famev). Organizado pelo Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão (Consepe), da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), a discussão reuniu representantes dos Sindicatos dos Professores (Adufmt) e dos trabalhadores da UFMT (Sintuf), do Diretório Central dos Estudantes (DCE), da Secretaria de Estado de Educação (Seduc/MT), da Assembleia Legislativa de Mato Grosso, da União Brasileira de Estudantes Secundarista (Ubes/MT), e do Sindicato das Escolas Privadas, pró-reitores, diretores de faculdades e de institutos, alunos dos cursos de graduação e das escolas de ensino médio públicas e privadas.

As sugestões apresentadas pelos participantes e o resultado do debate serão encaminhados ao Consepe, órgão responsável pelas políticas acadêmicas, que se reúne na próxima segunda-feira (11). Presidente do Consepe, a reitora Maria Lúcia Cavalli Neder falou do processo de mobilização para discussão da implantação do vestibular unificado e apresentou, em linhas gerais, os elementos do termo de referência enviado pelo Ministério da Educação (MEC). Discorreu sobre a dimensão política da proposta que contribui para a construção de um sistema nacional articulado de educação; oportuniza a consolidação de um sistema único de avaliação das ifes; possibilita a participação democrática em processos seletivos em até cinco ifes; mobilidade estudantil; e gratuidade, permitindo maior participação dos estudantes de ensino médio das escolas públicas.

Com relação à dimensão pedagógica, explicou a reitora, é uma oportunidade de se repensar o ensino médio, a partir das novas diretrizes do novo Enem, focada em habilidades e conteúdos mais relevantes, sinalizando concretamente para novas orientações curriculares; e reflexos nas licenciaturas, com vistas à formação docente alicerçada nesse novo paradigma.

Maria Lúcia Cavalli falou ainda sobre as formas de utilização do novo sistema; de participação; das características; preocupação em avançar da base informacional (memorização de conteúdos) para a base de construção de conhecimentos (tônica principal); quais os conteúdos do exame; inscrições de candidatos, funcionalidade; resultados e calendário do novo vestibular unificado.

Preocupações - A falta de discussões sobre o tema; a pressa para aprovação do novo sistema do processo seletivo das ifes; o número excessivo de perguntas para um curto espaço de tempo; problemas do ensino médio e da educação brasileira foram aspectos abordados pelos representantes da comunidade universitária.

Favorável à implantação do novo sistema do processo seletivo, a coordenadora do Ensino Médio da Seduc/MT, Ema Marta Dunk Cintra disse ser essa uma oportunidade para repensar o ensino médio e de atender os alunos mais carentes. Considerou importante, por meio da mobilização nacional, construir uma proposta coletivamente e de ter um ensino médio adequado.

O presidente da Adufmat, Carlos Eilert, questionou sobre o número excessivo de perguntas (100) para serem respondidas em um curto espaço de tempo (5 horas); e sobre os recursos para a moradia dos estudantes. O coordenador do DCE, Gelder Pompeo, também ressaltou a preocupação da entidade com a falta de recursos e a política do MEC “feita por decretos”. “Essa mudança do ensino médio é apenas para maquiar a falta de recursos”, criticou.

O diretor da Ubes/MT, Rarikan Heven, se posicionou favorável à unificação do processo seletivo. “Essa é uma antiga reivindicação dos estudantes”, frisou sugerindo a ampliação da proposta com a implantação do vestibular seriado. Ele defendeu ainda que haja avanços na qualidade do ensino público.

Os representantes das escolas privadas criticaram a “pressa em implantar o novo sistema”. Eles defenderam uma maior discussão sobre o tema. Destacaram também os problemas no ensino básico e no ensino médio e a preocupação com a grade curricular e formação dos professores.

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