30 de agosto de 2008

Contra a impunidade e a tentativa de imposição do esquecimento

Recentemente pudemos ver a comunidade jurídica brasileira manifestar-se contra aqueles que querem impor o silêncio e uma falsa memória, forçando o esquecimento e pregando a impunidade dos bárbaros crimes que alguns membros das forças armadas perpetraram durante a ditadura militar.
É hora da sociedade civil manifestar-se, mostrando que não apenas aos juristas interessa esse debate, mas sim a todos os brasileiros que prezam o Estado Democrático de Direito. É neste sentido que a União Nacional dos Estudantes, a Ordem dos Advogados do Brasil e a Associação Brasileira de Imprensa formulam e assinam o manifesto abaixo, rogando a TODOS que somem sua assinatura, agregando força a este movimento contra a impunidade e o esquecimento.
Referido manifesto foi lançado publicamente em conjunto com o Manifesto dos Juristas, em ato no dia 28 de agosto (aniversário da Lei de Anistia), na Faculdade de Direito do Largo São Francisco da Universidade de São Paulo.
Convidamos a todos para que assinem, remetendo seu nome, estado de residência e organização em que trabalham/militam para o e-mail manifestodasociedad ecivil@hotmail. com
a carta:
Tortura não é crime político: pela verdade e reconciliação!
Manifesto em favor do debate e contra a impunidade e a tentativa de imposição do esquecimento

Um debate fundamental para a democracia brasileira, há muito tempo sufocado, finalmente se estabelece de forma republicana junto à opinião pública: a questão da responsabilizaçã o jurídica dos agentes torturadores durante a ditadura militar.

Causa espécie e estranhamento o fato de que, em plena democracia, tal assunto provoque reações contrárias que rejeitam até mesmo o próprio debate público do assunto. Sob os argumentos de que o tema é inoportuno, intempestivo, e até mesmo que significa "um desfavor para a democracia" ou que "não mais interessa a sociedade', percebe-se explicitamente um movimento, certamente motivado por interesses específicos mas nem sempre explícitos, que procura abafar as vozes daqueles que há mais de três décadas clamam e esperam por justiça.
O fato concreto é que existem no Brasil mais de 100 associações de ex-perseguidos políticos e familiares de mortos e desaparecidos políticos. Mais de 62 mil brasileiros ingressaram com pedidos de reparação na Comissão de Anistia nos últimos sete anos, restando quase 25 mil por apreciar. A União apreciou mais de 500 processos movidos por famílias que tiveram familiares mortos ou desaparecidos durante a ditadura militar. Diversos particulares têm ingressado com ações no Poder Judiciário pedindo a responsabilizaçã o jurídica de quem os torturou ou levou à morte dos seus familiares.
O Ministério Público Federal promove, atualmente, Ação Civil Pública contra agentes públicos que chefiaram o DOI-CODI de São Paulo. Milhares de brasileiros aguardam reparação, centenas aguardam o direito de enterrar seus entes próximos ou de conhecer a verdade histórica sobre seus paradeiros. Não se pode falar em reabrir feridas que nunca se estancaram. Estudos internacionais recentes revelam que a impunidade aos crimes (ressalta-se sempre, atos praticados na ilegalidade do próprio regime ditatorial) é fator de piora dos índices de violência e de abuso aos direitos humanos, servindo como uma forma de legitimação da violência praticada hoje no Brasil. Não há de se falar, portanto, de que se trata de um assunto do passado. É mais do que presente.
O debate que está posto não é a alteração ou revisão da lei de anistia, mas sim o cumprimento da mesma. O debate que está posto não significa afronta às Forças Armadas enquanto instituição nacional, mas sim o prestígio de sua corporação frente àqueles que não respeitaram nem ao menos as regras do próprio regime ditatorial que proibia a prática da tortura e comprometeram a sua imagem. A questão jurídica central é: se a lei de anistia abrangeu ou não os crimes de tortura enquanto como crimes políticos. O certo é que não há manifestação do Poder Judiciário sobre a questão e, por isso, a importância do debate público. Enquanto este momento não ocorrer o debate permanecerá em pauta junto à sociedade civil.

Questões fundamentais ainda não foram respondidas: Se a anistia foi ampla, geral e irrestrita, porque a anistia a Carlos Lamarca foi questionada por setores militares da reserva na Justiça? Existe correlação moral e ética entre aqueles que usurparam da estrutura estatal do monopólio da violência para torturar com aqueles brasileiros que exerceram a resistência contra uma ordem injusta que os perseguia? Que democracia é essa, incapaz de enfrentar o seu passado? A quem interessa que o debate não seja realizado e os fatos não sejam revelados? Os perseguidos foram processados e julgados e hoje são anistiados à luz da Lei n.º 10.559/02, os torturadores nem ao menos reconheceram seus atos. Como anistiar em abstrato crimes que não foram elucidados e julgados?

As organizações da sociedade civil abaixo assinadas vêm por meio desta mensagem apoiar e somar-se às iniciativas do Ministério da Justiça e do Ministério Público Federal em discutir a validade e alcance da Lei de Anistia de 1979 e os caminhos jurídicos para que, sem alteração das leis que permitiram a redemocratizaçã o do Brasil, a questão seja apropriadamente tratada no Poder Judiciário. É dever do Estado, no mínimo, promover o debate sobre as garantias fundamentais dos seus cidadãos, entre elas o direito à verdade, à memória e à justiça.

Cremos, em consonância com diversos tribunais internacionais, e com diversas cortes superiores da América Latina, que os crimes contra a humanidade não são prescritíveis, portanto, não passíveis de anistia, e que aqueles que os cometeram, fora da própria legalidade do regime de exceção, devem ser julgados e responsabilizados.

Apenas com o devido processamento e esclarecimento de todos os fatos que envolveram esses crimes é que será efetivamente possível falar em anistia, permitindo que a reconciliação nacional se consolide, desbancando a tese degenerativa da democracia de que a única solução possível para lidar com as abomináveis violações de direitos humanos perpetradas por agentes públicos é a impunidade e a imposição do esquecimento.

Assinam este manifesto:
Maurício Azêdo, RJ, Presidente da ABI
Cezar Britto, DF, Presidente da OAB
Lúcia Stumpf, SP, Presidente da UNE
Ana Carolina Guimarães Seffrin, RS, FADISMA
Ana Jose Alves Lopes, MS, Diretora Presidente e Diretoria Executiva, Rede de Mulheres Negras e Fórum Nacional de Mulheres Negras
Anita de Moraes Slade, RJ, Programadora Visual, Rio de Janeiro, Fórum de Reparação do Rio de Janeiro
Carlos Eduardo Pestana Magalhães, SP, Jornalista e Sociólogo, coligação PT-PCdoB
Clara Charf, RJ, ex-perseguida política
Francisco Fernandes Maia, DF, Presidente da Acimar
Geo Britto, RJ, Centro de Teatro do Oprimido - CTO-Rio
Ivete Caribé da Rocha, SERPAJ BRASIL
Leila Rocha Marques, BA, Instituto Eletrocooperativa
Maria Angela Santa Cruz, SP, Psicanalista e analista institucional, Instituto Sedes Sapientiae
Maria Perpétua Guimarães de Castro, BA, Eletrocoopertativa
Marta Cezária, MS, Rede de Mulheres Negras e Fórum Nacional de Mulheres Negras
Matheus Bandeira Onofre, Diretor de Extensão da UNE, UFPB
Raimunda Luzia de Brito, MS, Rede de Mulheres Negras e Fórum Nacional de Mulheres Negras
Rodolfo Porley Corbo, Uruguay, Secretario del Ámbito Proceso Uruguay Entero Sur
Rose Nogueira, SP, Presidente, Grupo Tortura Nunca Mais de São Paulo
Vera Vital Brasil, RJ, Psicóloga Clínica, Tortura Nunca Mais Rio de Janeiro e membro do Fórum de Reparação do Rio de Janeiro
Daniel Gerardo Raviolo, CE, Coordenador Geral de Comunicação e Cultura do Ceará
Marília Bandeira, RJ, Programadora Visual
Alexandrina Cristensen de Souza, DF, Presidente da Associação Brasileira de Anistiados Políticos
Ana Gabriella de Souza Andrade, PE, AJUP direito nas ruas, UFPE
André Luiz Barreto Azevedo, PE, NAJUP, Direito nas Ruas, UFPE;
Ariel de Castro Alves, SP, Coordenador da Seção Brasileira da Ação dos Cristãos para a Abolição da Tortura,
Cícero Paiva de Souza, DF, funcionário da Associação Brasileira de Anistiados Políticos
Denise Pereira Silva, DF, funcionária da Associação Brasileira de Anistiados

Glauco Ludwig Araujo, RS, DCE UFRGS
João Bosco Da Silva, SP, Tesoureiro-Geral, Sindicato dos Servidores Públicos da Assembléia Legislativa e do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo
Mariana Cavalcante Araujo Costa, SP, Fórum Centro Vivo
Marleide Ferreira Rocha, DF, Advogada, Rede Nacional de Advogados e Advogadas Mirnalene Neves da Silva, DF, funcionária da Associação Brasileira de Anistiados Políticos
Nelson Cicone Filho, DF, funcionário da Associação Brasileira de Anistiados
Márcia S. Hirata, SP, Fórum Centro Vivo, FAU-USP
Tales de Castro Cassiano, SP, Vice-Presidente da UNE
Reila Márcia Miranda da Silva, SP, Jornal Brasil de Fato
Suellen Muniz Coelho, Paris, França
Tarciso Tavares, Presidente, União Nacional de Aeronautas Anistiados

Estudantes ocupam a reitoria à 17 dias na UFMS

Camaradas,

Primeiramente, registro os limites que tivemos em enviar de informes mais precisos durante a última semana em relação à ocupação da UFMS. Infelizmente nosso tempo e acesso a internet eram muito limitados.

Como registrávamos em outra mensagem, a ocupação da UFMS desde o início enfrentava grandes desafios. Além da truculência e autoritarismo da reitoria da instituição, o movimento de ocupação enfrentava um problema objetivo: construir um processo de mobilização e enfrentamento que conseguisse derrubar num primeiro momento a resolução do COUN (Conselho Universitário) , que definia as eleições para reitor no último dia 25 de agosto (véspera do único feriado do semestre em Campo Grande !) para que pudéssemos retomar em melhores condições a luta central pela Paridade.

Durante a primeira semana de ocupação, o movimento apostou na divulgação massiva das pautas da ocupação e na articulação com outros setores da sociedade. A ocupação recebeu vários movimentos sociais, lideranças políticas, religiosas e culturais, o que ampliou o respaldo da ocupação perante a sociedade. Outra frente articulada foi a organização interna da ocupação, com as comissões sendo estruturadas (segurança, negociação, comunicação, limpeza, cultura e arte, etc.).

Na segunda semana, o movimento ganhou corpo. O número de pessoas ocupando a reitoria e/ou acampada aumentou e foi realiza na terça-feira a maior assembléia da ocupação. Mais de 600 estudantes definiriam em assembléia com a presença dos servidores técnico-administrati vos paralisação total das aulas e atividades durante a quinta-feira, data que coincidia também com o dia de paralisação nacional da FASUBRA contra o PLC 92. Ademais, desde o início da semana vários cursos e campi tinham decidido paralisar as aulas, ainda que por distintos períodos.

Importante registrar que a luta imediata pelo cancelamento das eleições e pela paridade foi apenas o estopim de várias reivindicações estudantis até então reprimidas. Ao longo dos dias, uma série de denúncias contra a administração da Universidade foi aparecendo (improbidade administrativa envolvendo fundações, nepotismo, superfaturamento de obras, etc.), o que revelou que para além da falta de democracia, a UFMS vive uma crise institucional ainda mais grave.

Com este cenário, foram sendo criadas as condições para construirmos ações mais radicalizadas, que respondessem a demanda imediata que nos pressionava que era a eleição marcada para a semana seguinte. Foi desta forma que, após assembléias da ocupação e reuniões da comissão de segurança, decidimos ampliar a ocupação para a totalidade do prédio da reitoria. Essa ação teve repercussão imediata, provocando a presença da polícia federal e tentativas de reabertura das negociações.

O reitor se negou a negociar e ainda entrou com pedido de reintegração de posse na justiça, sendo atendido de pronto por um “solícito” juiz local. Na decisão, era estipulada uma multa de R$ 10 mil, em caso de desobediência e outros R$ 5 mil para cada dia de ocupação mantida. Em assembléia da ocupação realizada no mesmo dia (sábado), os estudantes decidiriam pela desocupação da reitoria, compreendendo que o movimento entrava numa nova etapa e era preciso ampliar outras frentes de luta para além da ocupação.

Detalhe importante é que após 17 dias, a desocupação naquele momento não era um recuo em relação a reitoria ou a decisão judicial. A partir dali, tratava-se de pensar em outros instrumentos mais contundentes que conseguissem impedir a realização das eleições e a retomada do debate da paridade.

Esta decisão se mostrou acertada e como vitória imediata, o reitor foi obrigado a cancelar as eleições do dia 25 de agosto! Referendou esta decisão em reunião extraordinária do Conselho nesta terça-feira, remarcando as eleições para o próximo dia 02 de setembro.

Desde então, os estudantes continuam mobilizados. Uma comissão do movimento foi à Brasília e se reuniu com representantes do MEC, deputados e senadores para que houvesse uma intervenção em relação ao conjunto de denúncias contra o reitor. Na universidade, o ME continua se mobilizando e durante a próxima semana mais ações estão sendo construídas para garantir a apuração das denúncias e que as próximas eleições sejam paritárias.

Talvez mais detalhes tenham faltado a este informe sintético. Tive que retornar a São Paulo essa semana. Em resumo, é isso: após 17 dias de ocupação, o movimento estudantil da UFMS constrói um inédito processo de lutas naquela universidade. Um movimento que já é vitorioso na medida em que já conquistou vitórias importantes como a derrubada das taxas na universidade e o cancelamento por duas vezes das eleições para reitor, mas que se mantém mobilizado por mais vitórias e conquistas.

Saudações Estudantis,

Bruno Elias
1º Vice Presidente da UNE

27 de agosto de 2008


O ônibus partiu de São Paulo rumo ao Rio de Janeiro dia 11 de agosto e dentre os 28 caravaneiros, uma equipe de documentaristas que registra tudo pra fazer no final um curta documentário da Caravana e para que a TV CUCA, garanta uma grade permanente de programação durante esses quatro meses de viagem. Será uma pílula por estado, além de produção de chamadas para inscrição de trabalho da sexta bienal, pílulas do lançamento do Pontão de Cultura e muito mais que passar pelo caminho da Caravana de Saúde Educação e Cultura da UNE. Os primeiros dias de viagem, incluindo o lançamento no Rio estão no primeiro vídeo produzido pela TV CUCA. O vídeo ainda traz imagens de debates, oficinas, shows e apresentações culturais nas cinco universidades que já receberam a Caravana
Acesse a TV CUCA e aguarde a pílula do Espírito Santo
Bienal da UNE: Inscreva-se!
Raízes do Brasil: formação e sentido do Povo brasileiro.

O século XVI deve ser visto por nós como um período ao mesmo tempo inaugural e experimental. Ninguém sabia ao certo no que tudo aquilo poderia dar. Mas o fato é que, da obra do Governo Geral á expansão da agroindústria açucareira, implantou-se o projeto lusitano para nossos trópicos.
Não exatamente dentro das balizas ou dos trilhos planejados pelos portugueses, é claro. Eles pensaram em termos de transplantação cultural, de reprodução imediata do modelo metropolitano, sonhando uma Nova Lisboa em nossas terras. Mas a mestiçagem genética e o sincretismo cultural, que já vinha da aldeia eurotupinambá de Diogo Caramuru, se encarregaram de tecer uma outra realidade, original, na Bahia de Todos os Santos e seu Recôncavo. Assim teve inicio o processo histórico-cultural que fez, de nós, o que somos Antonio Risério. "Uma história da Cidade da Bahia"

Estão abertas as inscrições para a VI Bienal de Cultura da UNE, que é hoje o maior evento de cultura e juventude da América Latina. Esta Bienal possui diversas significações para o processo de reestruturação do trabalho de cultura da UNE. Em primeiro lugar pois está voltando a cidade que lançou o projeto Bienal da UNE a quase dez anos atrás, quando em 1999 realizou-se na capital baiana a primeira Bienal de Arte, Ciência e Cultura da UNE.
Fator que naquele momento tinha sido relevante, pois foi nesta cidade que em 1979 a UNE reconstruiu a entidade, depois de ter sido colocada na clandestinidade pela ditadura militar. Mas outra grande motivações para esta Bienal ser realizada em Salvador e sua importância em relação ao tema da Bienal, tema este que pretende discutir a formação do povo brasileiro de um ponto de vista bastante contemporâneo. A introdução extraída do livro "Uma história da Cidade da Bahia" de Antonio Risério dispensa maiores explicações.

Como um projeto permanente sua configuração sofre transformações ao longo do tempo. Temos como exemplo o recorte utilizado na última Bienal da UNE realizada no Rio de Janeiro que é a participação dos Pontos de Cultura de uma maneira bastante considerável em relação à programação como um todo.
Nesta versão esta novidade permanece e pretende se ampliar pensando em outras formas de participação dos pontos além da apresentação em si, mas ampliando de forma que a peculiaridade de cada Ponto de Cultura possa ser mais valorizada e também que possa contribuir mais na construção geral do evento. Mas nesta edição podemos dizer que a principal mudança é a aceitação de trabalhos feitos por estudantes secundaristas, nas edições anteriores apenas na mostra de Ciência e Tecnologia podiam mostrar sua produção e com isso abrimos para um importante pólo de produção específica que são as escolas técnicas.
Desta forma pretendemos dar espaço para uma produção que está escondida nas escolas e também fazer um levantamento de como a cultura está sendo produzida neste espaços, que existem em número muito superior que as instituições de ensino superior do país.

maiores informações : www.une.org. br
fale com a secretaria da 6 bienal: 65 - 84274177
Veja a vinheta produzida pela TV CUCA para o edital de bolsas de incentivo da Ação Griô. Imagens referentes às Paneleiras do Espírito Santo registradas durante a passagem da Caravana de Saúde Educação e Cultura pelo estado capixaba.Por uma política nacional de educação, cultura oral e economia comunitária, o CUCA da UNE apoia essa iniciativa, disponibiliza seu blog para a mobilização das inscrições.Inscreva seu Ponto de Cultura ou sua Entidade Cultural através do site do ministério da cultura (www.cultura. gov.br) até o dia 8 de setembro de 2008.

"A essa hora provavelmente todo mundo sabe muito melhor do que eu que houve um estupro no campus da UFBA hoje de manhã. Não é a primeira vez que acontece um crime deste tipo na UFBA, mas talvez porque o caso de hoje tenha ocorrido em um horário de grande movimento e em um lugar que nem é tão deserto assim as pessoas resolveram acreditar. Sim, acreditar, porque os casos de estupro na universidade sempre se disseminam como um boato. Desde que eu entrei na universidade em 2006 já passaram na minha sala ao menos quatro vezes para dizer que houve um estupro em não sei onde. Os alunos fazem uma abaixo assinado e o assunto morre aí, ninguém averigua se é verdade ou mentira, quem foi a vítima e nada é feito depois. Na minha singela opinião um boato de estupro não pode ser tratado como um boato de casamento entre celebridades. Na minha singela opinião reitores, pró-reitores e diretores de institutos que ouvem falar de um estupro e não fazem de tudo para checar a informação e evitar novos casos são criminosos."
Clique aqui e leia na integra a opinião publicada ontem no blog de Juliana Cunha, coordenadora de literatura da sexta Bienal da UNE, a ser realizada entre os dias 20 a 25 de janeiro de 2009, na cidade de salvador.conexão bahia!
relise das principais materias!

Combate ao racismo

No dia 28 de setembro ocorrerá no Rio de Janeiro uma caminhada na orla de copacabana em favor da liberdade religiosa. Esta caminhada está sendo organizada por uma série de entidades do Movimento Negro, da Igreja Católica, dos Terreiros e demais entidades, sendo o Movimento Negro convidado para compor o comitê organizador e de mobilização da caminhada.
Em Mato Grosso, temos a frente desse debate na direção da UJS, a Aline (caceres), ela participa dos foruns e discussões contra o racismo. Quem quiser ajuda-la pode deixar o e-mail que entraremos em contato.
Vamos combater o racismo...CONTRA todos os tipos de discriminação!
Gustavo Santana UNE - Diretor de Combate ao Racismo www.combateaoracismoune.blogspot.com
tel: (21) 9442-6976

25 de agosto de 2008

Manifesto: É proibido proibir!!!

MANIFESTO
É proibido proibir?

No dia 21 de agosto, última quinta-feira, durante a reunião do Conselho Superior Universitário (Consuni), foi aprovada a criação de uma resolução que deverá regulamentar o uso dos espaços da UFMT para realização de festas, eventos e alojamento. Por "espaços", entenda-se os saguões, interiores dos prédios e imediações. Por "festas" ou "eventos" entenda-se qualquer reunião de pessoas com atividade musical e comercialização de bebidas.

Em outras palavras, tal regulamentação proíbe o uso daqueles determinados espaços da universidade para festas, eventos e alojamento. Para essas atividades restarão as quadras externas e os estacionamentos. Essa resolução tramita desde 2007 e tanto os representantes dos estudantes no Consuni, quanto coletivos que atuam na UFMT manifestaram oposição. Por quê?

1) Por entenderem que o uso das salas de aulas para alojamento é a única forma de alojar estudantes a baixo custo durante os congressos e diminuir a logística de transporte, bem como proporcionar acomodação no espaço de vivência a que a UFMT, em seus discursos, busca. Vivência estudantil inclui, para além da sala de aula, a extensão, os eventos e congressos.

2) A falta de alojamentos para os congressos impede a organização de eventos e a mobilização de estudantes, mesmo com a garantia de que a Provivas cederia recursos. Sabemos que os mesmos não são suficientes, pois eles são destinados ao pagamento de bolsas, alimentação e moradia, e já não atendem a essas demandas.

3) As atividades culturais são necessárias à vivência universitária. As quadras e os estacionamentos não são apropriados, não dispõem de banheiros, pontos de energia ou iluminação. Quem faz cultura ou "festas" sabe do aumento do custo financeiro para a locação de equipamento de sonorização, palco, profissionais, montagem de tendas e banheiros químicos que isso acarreta.

Na reunião do CONSUNI, o reitor propôs a construção de um espaço específico para eventos, porém há pelo menos três anos se fala na construção de um centro de vivência estudantil na universidade para realizar os eventos e congressos em um local apropriado. O último projeto apresentado previa lojas e estacionamento, num prédio ao lado do Centro Cultural (ou Elefante Branco), que seria a extensão da Coordenação de Cultura, abrigando a Escola de Artes e não mais os projetos e coletivos estudantis. O espaço do alojamento, também proposto há mais de três anos pelo reitor, seria construído na Educação Física.

Conclusões...
Parece que os dirigentes da universidade não entendem os congressos e eventos como extensões do ensino. E não percebem que muitos dos eventos culturais e festas são para arrecadar dinheiro para financiamento das atividades de coletivos, sejam eles DCE, CA´s, turmas de formandos, coletivos de comunicação ou movimentos segmentais, os quais suprem as demandas que a universidade não tem condição de atender.

Os eventos culturais realizados pelos estudantes são entendidos pelos dirigentes da UFMT como "festas", o que demonstra que os dirigentes dessa universidade não têm qualquer comprometimento em entender o que é a produção cultural estudantil, como ela se organiza, executa seus projetos e quais seus fins. Cultura, para eles, é a Orquestra Sinfônica, Canto Coral, Escolas de Artes e Cine Coxiponês, que estão muito distantes da realidade dos estudantes e mais ainda da comunidade externa. A cultura urbana é sinônimo de festa irresponsável, que depreda o patrimônio público.

Essa resolução mostra uma UFMT arcaica, que não discute Vivência Estudantil, Cultura, modos de ser e fazer de seus estudantes. Não houve qualquer esforço em realmente discutir a regulamentação de uso dos espaços ou criar regras para que os eventos aconteçam. Em vez de criar possibilidades e alternativas, a Universidade PROÍBE.

Em vista disso, nós, abaixo-assinados, manifestamos oposição a essa resolução e exigimos revogação da mesma no Consuni. Propomos que se faça uma resolução que crie possibilidades de uso responsável do espaço público e que atenda as necessidades dos estudantes.

Além do manifesto, serão organizados uma série de eventos para a mobilização dos estudantes, a manifestação terá o nome de É Proibido Proibir. O calendário é o seguinte:
Terça-feira - dia 26 - Festa na Rodoviária (ICET), a partir das 17h
Quarta-feira - dia 27 - Festa no ICHS, a partir das 17h
Quinta-feira - dia 28 - Festa no bloco de Engenharia Florestal, a partir das 17h
Sexta-feira - dia 29 - Festa do Calouro no saguão do IL - a partir das 17h

*Todos os dias, às 16h, o grupo de estudantes mobilizados se reunirá no RU a caminho dos eventos.