11 de outubro de 2008

Memória 68: Ato homenageia líderes estudantis presos no Congresso de Ibiúna

Logo após a homenagem, a 12ª sessão da Caravana da Anistia julgou seis perseguidos políticos, presos no 30º Congresso da UNE realizado em Ibiúna, onde mais de 700 estudantes foram presos

O dia 10 de outubro foi de recordações. Lembranças de um período de exceção do Estado brasileiro rememorados por quem, naquele período, estava na linha de frente na luta contra a ditadura.

Reunidos na Estação Pinacoteca, prédio onde funcionava o Departamento de Ordem Política e Social (DOPS) e que hoje abriga o Memorial da Resistência, nomes como Jean Marc van der Weid, que presidiu a UNE em 1969/71, José Dirceu, José Genuíno, Paulo Vanuchi, Alberto Goldman. Em comum, os presentes no ato realizado nesta sexta (10) em homenagem aos estudantes presos no 30º Congresso de Ibiúna, carregam na memória marcas do enfrentamento com militares. Uma luta em defesa da democracia, como disse o ministro da Secretaria Especial de Direitos Humanos, Paulo Vannuchi.

"Essa geração saúda a juventude de 68 que garantiu as liberdades democráticas para que nós, os jovens de hoje, possamos lutar por um país mais justo, igualitário e desenvolvido. Hoje também é um dia para se lembrar que um dos primeiros atos da recém instituída ditadura militar foi incendiar a sede da UNE, na Praia do Flamengo (RJ), pois a Casa do Poder Jovem era um símbolo da força dos estudantes", recordou a presidente da UNE, Lúcia Stumpf, que em seu discurso deu voz a uma reivindicação que ecoa em todo o movimento social. "A abertura dos arquivos da ditadura se faz necessária para que o povo conheça sua própria história", reafirmou.

O secretário de justiça e defesa da cidadania do estado de São Paulo, Luiz Antonio Marrey ressaltou o simbolismo do fato de o Memorial da Resistência ocupar o mesmo espaço antes marcado por atos de tortura. "Transformar esse local de referencia à história daqueles que lutaram por um país mais justo e livre é uma celebração à democracia".

Depois de recordar o funcionamento do prédio na época do DOPS, Vanuchi reforçou a importância de investigar casos de torturas e desaparecimentos, como o de Honestino Guimarães, ex-presidente da UNE, que hoje completa 35 anos. "É preciso sim punir os responsáveis em memória da verdade".

Para Alberto Goldman, vice-governador de São Paulo, que foi ao ato representando José Serra, que presidiu a UNE em 1963/64, "recordar esse período é fundamental para que se mantenha viva a consciência do que representou o regime ditatorial".

12ª sessão da Caravana da Anistia julga seis estudantes preso no Congresso de Ibiúna
Logo após a homenagem aos participantes do 30º Congresso da UNE realizado em 12 de outubro de 1968, na cidade de Ibiúna, interior de São Paulo, aconteceu a 12ª sessão da Caravana da Anistia.

Os anistiandos: Marcos José Burle de Aguiar, Américo Antonio Flores Nicolatti, José Miguel Martins Veloso, Luiz Felipe Ratton Mascarenhas, Darci Gil de Oliveira Boschiero e João Mauro Boschiero. Todos presos no Congresso de Ibiúna.

Para o presidente da Comissão da Anistia, Paulo Abraão, a anistia a perseguidos políticos é um direito fundamental e constitucional dos que passaram pelos porões da ditadura. "Não há nenhum tipo de beneficio, é sim direito", resumiu, contundente.

"Nós estamos fazendo uma reversão na cultura jurídica e política deste país. Tortura não é crime político. Dizer isso é o mesmo que equipar o Estado ao mais cruéis criminosos", disse o ministro da Justiça, Tarso Genro.

Em sua declaração, o ministro da comunicação Social, Franklin Martins relatou que tem muito orgulho de ter lutado naquele período. "Às vezes, dependendo da circunstância, é preciso lutar independentemente de ganhar ou perder. Esse é o grande legado da geração de 68: a luta incansável pela democracia. Nós lutamos pela e vencemos por isso. Não nos conformamos com opressão mesmo quando ela parecia imbatível".

Jean Marc van der Weid completou. "O Congresso de Ibiúna foi uma das demonstrações mais contundentes da democracia do movimento estudantil. Um espetacular movimento, que naquele momento mostrava a nítida diferença entre os que estavam ao lado da ditadura e os que lutavam pela democracia".

"Essa iniciativa resgata a memória histórica deste país. É uma forma que garantirmos que nossos filhos não passarão pelo que nós passamos. Ditadura nunca mais", disse o secretário adjunto da cultura de São Paulo, Ronaldo Bianchi.

Também foram inaugurados dois painéis em homenagem à data: um com as fotos dos 23 estudantes mortos durante a ditadura militar e outro com a lista dos 719 presos durante o Congresso da UNE em Ibiúna. As obras estão em exposição na Estação Pinacoteca.

Fonte: www.une.com.br

Greve nacional dos bancários para 4.300 agências

Cresceu em todo o país nesta sexta-feira (10) a greve nacional dos bancários deflagrada na última quarta-feira. Mais de 4.300 agências de todos os bancos pararam durante o terceiro dia de greve, nos 27 Estados da federação, conforme levantamento da Contraf (Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro).


A passeata pelo centro de Fortaleza

Os trabalhadores fizeram manifestações e passeatas em diversas cidades. As passeatas percorreram as ruas centrais de São Paulo, Salvador e Fortaleza. Os bancários exigem reajuste salarial de 13,23%, mas a Fenaban (federação patronal) oferece 7,5%.

Passeatas reforçam a greve
Em São Paulo, cerca de 34.800 trabalhadores de 749 agências bancárias e 11 centros administrativos aderiram à paralisação nesta sexta-feira, conforme cálculo do sindicato da categoria. Estima-se que 29% dos 120 mil bancários da base de São Paulo, Osasco e região foram abrangidos pelo terceiro dia de mobilização. Cerca de 800 bancários participaram da passeata no centro velho da capital.


Na Bahia, onde a greve começou antes e já está no seu 11º dia, agências em mais de 100 municípios haviam aderido à paralisação, em todas as regiões do estado. No BNB, as 35 agências na Bahia aderiram à greve e paralisação atinge 100% das unidades.


Em Fortaleza, centenas de trabalhadores saíram em caminhada pelas ruas do centro, conscientizando a população sobre as principais reivindicações dos bancários e também dos trabalhadores do Detran, igualmente em luta. A caminhada teve a presença de quatro centrais sindicais: CTB, CUT, Intersindical e Conlutas.

BB: protestos no 200º aniversário
Alguns sindicatos estão fazendo atividades em homenagem aos bancários do Banco do Brasil, que no próximo domingo (12) comemorarão os 200 anos do banco em meio à greve, por conta da falta de respeito com que a empresa trata o funcionalismo.

Em Brasília, bancários levaram três faixas de protesto so Palácio do Itamaraty, onde o presidente Luiz Inácio Lula da Silva participa da solenidade do bicentenário. O presidente Lula saiu de São Paulo às 18h45m e deveria atrasar um pouco sua chegada ao Itamaraty, prevista para as 20 horas, para um jantar comemorativo.

As três faixas têm os seguintes dizeres: “Bancários em greve”, “BB 200 anos: também queremos participar dessa festa” e “BB 200 anos: só banana e abacaxi para os funcionários”. A manifestação foi na lateral do prédio, tocando uma buzina, para chamar a atenção de diretores do banco e convidados que chegavam para a solenidade.


Reivindicações da greve
Os bancários brasileiros rejeitaram na semana passada proposta de reajuste de 7,5% apresentada pela Fenaban, por considerá-la i''nsuficiente e não condizente com a alta rentabilidade do setor''. Pela proposta, a PLR (participação nos lucros e resultados) seria inferior à paga no ano passado.
As principais reivindicações dos bancários são:
. 5% de aumento real (a proposta da Fenaban é de apenas 0,35%).
. Valorização dos pisos salariais.
. Aumento do valor e simplificação da distribuição da PLR (Participação nos Lucros e Resultados).
. Vale-refeição de R$ 17,50.
. Cesta-alimentação equivalente a um salário mínimo (R$ 415,00).
. Fim das metas abusivas e do assédio moral
. Mais segurança nas agências.
. Mais contratações.


Em razão da falta de proposta da Fenaban a greve será mantida. Na segunda-feira, uma nova rodada de assembléias por todo o país decidirá sobre os rumos do movimento.


Fonte: www.vermelho.org.br


10 de outubro de 2008

Abertas as inscrições para o Fórum Social Mundial 2009

As inscrições podem ser feitas através do site www.fsm2009amazonia.org.br.

De 27 de janeiro a 1° de fevereiro de 2009, a cidade de Belém abrigará o Fórum Social Mundial. Durante esses seis dias, a cidade assume o posto de centro da cidadania planetária e referência mundial no questionamento à desigualdade, à injustiça, à intolerância, à devastação ambiental e ao preconceito.

As centenas de atividades autogestionadas – como acampamentos, oficinas, seminários, conferências, testemunhos, marchas, atividades culturais e artísticas entre outros – que acontecem ao longo desses dias são espaços de intercâmbio, reflexão e elaboração de propostas para a construção de outro mundo possível.

O território onde serão desenvolvidas as atividades durante o Fórum Social Mundial é composto pela Universidade Federal do Pará (UFPA) e pela a Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA), em uma área verde margeada pelo rio Guamá e pela floresta.

Inscrições
A partir de 7 de Outubro a 7 de Novembro estão abertas as inscrições para atividades e organizações. Em breve também será possível o registro de indivíduos, atividades culturais e imprensa. As inscrições podem ser feitas através do site www.fsm2009amazonia.org.br.

Apenas organizações poderão inscrever atividades que farão parte da programação do Fórum. Todas as atividades inscritas serão autogestionadas, isto é, a(s) organização(ões) proponente(s) tem inteira responsabilidade na definição de seu formato, nomes de eventuais palestrantes, e outras necessidades como o registro da atividade desenvolvida após o evento. A organização do FSM garantirá o local para a realização da atividade e se responsabiliza pela divulgação no programa impresso e no site do FSM2009.

Consciente das diferentes condições de pagamento de seus participantes, o Grupo Facilitador responsável pela organização do FSM 2009 estipulou preços diferenciados de inscrição:

Organizações*:
- Norte geopolítico** - US$ 216,00 (com direito a 1 delegado) US$ 50,00 por delegado extra
- Brasil - R$ 150,00 (com direito a um delegado) R$ 20,00 por delegado extra
- Demais países - US$ 83,00 (com direito a 1 delegado) US$ 11,00 por delegado extra

Indivíduos:
- Norte geopolítico** - US$ 83,00
- Brasil - R$ 30,00
- Demais países - US$ 17,00

* Com direito a propor até quatro atividades de 1 turno (3 horas) cada uma.
** Composto pelos países integrantes da OCDE – Alemanha, Austrália, Áustria, Bélgica, Canadá, Dinamarca, Espanha, Estados Unidos, Finlândia, França, Grécia, Holanda, Irlanda, Islândia, Itália, Japão, Luxemburgo, Noruega, Nova Zelândia, Portugal, Reino Unido, Suécia, Suíça (com exceção de Coréia do Sul, México e países Leste Europeu).

Hospedagem

Uma série de ações já está em prática para atender as diversas necessidades de hospedagem dos/as participantes do Fórum Social Mundial 2009. A principal delas é a campanha de hospedagem solidária (familiar ou alternativa):

Hospedagem Alternativa: alojamento em organizações, escolas, ginásios e entidades religiosas que poderão ser sem custo ou com pagamento de uma taxa de manutenção do espaço.

Hospedagem Familiar: alojamento em casas de famílias locais
A partir de setembro, estará disponível no site www.fsm2009amazonia.org.br um formulário online para solicitação de hospedagem solidária (familiar ou alternativa). Também no mesmo site, a população de Belém e região metropolitana que queira abrir a porta de suas casas para o mundo poderá oferecer hospedagem por cortesia, sem custo, ou nos valores R$ 27,50 e R$ 38,50 por pessoa/dia.

Mais informações podem ser obtidas junto ao Escritório do FSM 2009, Comitê do Governo do Estado de Apoio ao FSM ou ainda pelo email: acomodacao@fsm2009amazonia.org.br

Se você é morador de Belém ou região, participe desta iniciativa! Esta é a hora de conhecer novas pessoas, novas culturas e, sobretudo, praticar a solidariedade, em busca de um mundo melhor e uma sociedade mais justa.

Hospedagem Convencional: devido ao reduzido número de leitos disponíveis na cidade, as negociações de hospedagem convencional devem ser feitas diretamente entre as organizações e a rede hoteleira local ou através das agências de viagens com as quais costumam trabalhar. Não existe nenhuma agência oficial de viagem para o FSM. A listagem de hotéis disponíveis e preços praticados está disponível no site do FSM.

Acampamento da Juventude
Como nas edições anteriores do FSM, o Acampamento Intercontinental da Juventude (AIJ), além de alojar milhares de participantes do evento, funcionará como um espaço com vida própria, com atividades, programações culturais e políticas.

O AIJ estará situado dentro do território do Fórum, na Universidade Federal Rural da Amazônia (Ufra). Milhares de jovens de todo o mundo se encontram para um período de práticas diferenciadas em áreas como habitação, comunicação, reciclagem, gestão, entre outras.

Informações: acampamento@fsm2009amazonia.org.br

Programação
27/01/2009 –Marcha de abertura (tarde)
28/01/2009 – Dia da Pan-Amazônia: 500 anos de resistência, conquistas e perspectivas afro-indígena e popular.
Este dia será dedicado a levar ao mundo as vozes da Amazônia e se constituirá de diversas atividades, como testemunhos, conferências, além de celebrações e mostras culturais.
29 a 31/01/2009 – Demais atividades auto-gestionadas
1/02/2009 – Encerramento do FSM 2009, com ações descentralizadas e auto-gestionadas onde serão apresentados os acordos, declarações e alianças construídos no decorrer do FSM e celebração geral de encerramento.

Vídeos sobre o FSM 2009 no WSFTV
O site www.wstv.net segue no ar exibindo produções audiovisuais relacionadas aos temas do Fórum Social Mundial. O portal de vídeos pode ser utilizado para hospedar vídeos realizados por qualquer pessoa ou organização identificada com com a Carta de Princípios do FSM.

Entre as novidades, quatro vídeos sobre o FSM 2009, gravados durante a reunião de Metodologia e Comunicação que aconteceu em Belém no último mês de Julho.

8 de outubro de 2008

68 não é exemplo, é lição!!!!

Muitos jovens de hoje acham que não vale a pena votar, diferente de outras gerações que atuaram por reformas e entraram para história.


Jovens de várias idades e classes sociais. Bem informados, ou completamente alheios ao mundo em volta. Um perfil da juventude que tem na ponta da língua a primeira palavra que lhe vem à cabeça, quando o assunto é política: "Corrupção!, É uma chatice, Acho perda de tempo assistir à propaganda eleitoral, falar sobre política, essas coisas todas. Os candidatos fazem um monte de promessas, mas não cumprem nenhuma. A gente não acredita mais".


A nova geração de jovens com pouco interesse político no país. O ano de 2008, além das eleições, é palco dos 40 anos de maio de 1968, ano marcado pela intensa mobilização e engajamento político-social da juventude. Duas gerações, dois momentos históricos diferentes.

A de 1968 virou mito e exemplo, a atual se mostra distante dos debates, apática demais se comparada a de outrora. Como tem voto facultativo, a juventude opta por não participar das eleições municipais deste ano. "Não tive tempo de tirar meu título", justificam. Mas em seguida, eles semprem completam: "Não quis tirar, porque meu voto não vai fazer diferença nenhuma".


Esse olhar de descrédito seria um dos principais motivos apontados para o afastamento, não só do público jovem, mas da sociedade como um todo. A democracia representativa - a da escolha de dirigentes -, o jogo político eleitoral, aliados à ausência de espaço ativo de cidadania e à democracia direta causam um efeito desmobilizador.


"Jovens só participam da política em situações excepcionais (a luta contra a ditadura no Brasil, por exemplo) e dificilmente em rotinas eleitorais como eleições municipais, principalmente estas eleições, onde os principais candidatos são muito parecidos. Não é atrativo para a juventude. O jovem representa-se a si mesmo na sua individualidade e nas suas formas coletivas de participação, dificilmente precisa de representantes institucionalizados", avaliam.


A juventude também vê na corrupção um fator de agravo do quadro atual. No entanto, acredita que isso deveria ter efeito contrário. O grande número de corrupção gera uma antipatia, um acomodamento. E o jovem considera que a mobilização dele não vai mudar nada, mas deveria ser o oposto. Deveriam compartilhar a opinião da necessidade dos jovens de terem representações próprias para se identificarem, e conseqüentemente se aproximarem do universo político.


Falta esse referencial. O jovem não tem uma representação forte. A UNE atuava num contexto de luta contra a ditadura e todas as arbitrariedades da época, mas essa figura perdeu força, devido a juventude estar mais acomodada. Hoje, o Estado de democracia criou uma inércia coletiva, como se não houvesse motivos para se lutar, discutir, debater!!


Nos anos 60, o terreno era fértil para mobilizações. Ditadura no Brasil, guerra do Vietnã e a segregação racial nos EUA, protestos estudantis contra a má qualidade do ensino superior e as poucas oportunidades de trabalho, levando a uma greve geral de 10 milhões de trabalhadores na França em 1968. O verdadeiro caos instalado.O ano francês de 1968 virou símbolo de uma era, a dos jovens contestadores, revolucionários, que mudaram a forma de pensar da sociedade. Diante do mito, onde tudo parece já ter sido feito, o pós - 60 deixa a dúvida, se ainda há bandeiras a levantar.


Para uma maioria, como a UJS ela existe!!!

Temos uma série de causas e uma extremamente nossa, a questão ambiental, principalmente para o jovem da Amazônia. Ela é o centro de discussões atualmente. Os olhos do mundo estão voltados pra cá. Isso é um fator histórico importantíssimo, mas não tem desencadeado tanta mobilização. Então, a desculpa não pode ser a falta de motivos, porque eles estão aí.


Traçamos o papel do movimento e suas conquistas na sociedade Brasileira. Em 68 lutava-se por direitos cerceados. Foi um diferencial na luta pelos direitos políticos. Hoje nós temos todos esses direitos a nossa disposição. Aí parece que tudo já foi feito, e não nos resta mais nada. Vejo muito as pessoas querendo copiar aqueles anos. Mas o discurso é fraco, por essa ausência de debate, transparência e engajamento verdadeiros. O protagonismo juvenil surge como a grande questão no debate. Abrir canais de diálogo com a juventude, direcionar políticas ao segmento, investir em educação, quebrar a muralha do individualismo social.


Além de fatores históricos são os caminhos citados para promover mudanças e transformações no comportamento desse público.Políticas públicas voltadas para a juventude brasileira. No Brasil, só existem políticas de juventude de caráter nacional, desenvolvidas, na maioria das vezes de forma tímida, em parceria com Estados e municípios.


A Secretaria Nacional de Juventude apresenta no site http://www.juventude.gov.br/ uma lista de 16 programas, entre eles destacam-se o Programa Integrado de Juventude (Projovem), voltado para "jovens entre 15 e 29 anos excluídos da escola e da formação profissional" e o Programa Universidade para Todos (Prouni), o qual oferece "bolsa de estudos integrais e parciais em instituições de ensino superior privadas para estudantes de baixa renda e a professores da rede pública sem condições de pagamento das mensalidades". Os dois projetos são os de maior repercussão na mídia.


Será que tem como tornar os jovens mais politizados?

Mesmo parecendo clichê, ainda se bate a tecla nesses pontos. Educar na escola e dentro de casa o jovem, para que ele conheça e compreenda a importância de seu papel, enquanto cidadão.


A sociedade individualista tem impedido isso, em especial no âmbito familiar. O individualismo contemporâneo te impede de conversar com outro, de parar um segundo a tua vida e escutar os problemas de alguém. A globalização tem sua parcela de culpa. Ela trouxe a velocidade das informações. Você recebe uma tempestade delas. E no final você tem muita informação e pouco conhecimento, devido ao curto tempo para absorver tanta coisa. Velocidade do mundo globalizado, combatida pelo jornalista e escritor Zuenir Ventura: "Informação demais é ruído. A velocidade acaba com a memória. O google acaba com a memória", diz.


E memória e história refletem as inquietações de grupos sociais ao longo do tempo. Mostram os fatos que desencadearam as mais diversas agitações.

Depois de quatro décadas, ainda permanece no imaginário social "1968: O ano que não terminou" (livro de Zuenir). Por continuar vivo, compara-se tanto as duas gerações. Ventura, mostra-se categórico com o assunto: "68 não é exemplo, é lição".


Autor de dois livros sobre 1968, o jornalista fala no diálogo e aprendizado entre as duas linhas de tempo:

"O passado serve para ensinar algo, refletir sobre o presente, não podemos copiar 68, cultuá-lo. A geração contemporânea não tem o que lutar, não tem porque lutar. Em 64 tivemos a inocência, em 68 a ilusão.

Agora, a gente não pode perder a capacidade de sonhar"

7 de outubro de 2008

Eleições 2008: Mais de 12 mil jovens se candidatam

A juventude mostra que mais do que exercer o direito de votar, está disposta a representar sues pares na luta por direitos desta parcela da população

O total de jovens com idade entre 18 e 24 anos inscritos para a disputa eleitoral deste ano atingiu a marca de 12.177. Segundo a estatística dos pedidos de registro de candidaturas, em 2008 são 2.846 possíveis candidatos entre 18 e 20 anos de idade e 9.331 entre 21 e 24 anos.

"Os números deixam claro que o jovem, além de participar do processo eleitoral, também se mobiliza na conquista pela representação na política institucional. A juventude votando e sendo votada, demonstra um esforço em combater uma campanha que tenta desestimular a participação política no Brasil". afirma a presidente da UNE, Lúcia Stumpf.

A afirmação da líder estudantil se reflete em candidaturas expressivas como a da deputada federal, Manuela D’ávila, de 27 anos a prefeitura de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul. Manu, que foi diretora da UNE, ficou em terceiro lugar com 15,35% dos votos na capital gaúcha.

O ex-presidente da UNE, Gustavo Petta, candidato a vereador por São Paulo também deixou sua marca nas eleições 2008: 13.525 votos. Além de Petta, a vice-presidente da entidade ( 2005/2007), Louise Caroline, candidata a vereadora em Caruaru, o ex-diretor da UNE, Bruno Vanhoni, candidato a vereador em Curitiba, o atual 1º Diretor de Políticas Educacionais, Rafael Goffi, candidato em Pindamonhangaba, e Lindberg Farias, que presidiu a UNE em 1992/93, reeleito prefeito de Nova Iguaçu (RJ) são exemplos da mobilização pela representação da juventude na política institucional.

Fonte: www.une.org.br